A epifisiolistese acomete o quadril de adolescentes (a média de idade é de 12 anos para meninas e 13,5 anos para meninos).

Uma parte do fêmur (cabeça) “escorrega” causando um desvio na cartilagem de crescimento que, por ser uma estrutura delicada, não suporta o peso corporal e leva a deformidade no quadril.

Embora a causa exata seja desconhecida. Sabe-se que a epifisiolistese é mais comum nos meninos, negros e principalmente nos obesos, bem como em crianças com doenças endocrinológicas e doenças renais.

Quais são os sintomas?

O sintoma mais comum é a dor prolongada no quadril (duração de meses a anos). Mais raramente as queixas podem se assemelhar as de um caso de fratura: dor aguda e forte. Com a evolução da doença notamos encurtamento e rotação da perna acometida (o pé passa a apontar para o lado) associados a limitação da mobilidade da articulação.

Em metade dos casos os dois lados do quadril apresentam sintomas, normalmente iniciados com até 1 ano de intervalo de início.

A dor pode ser referida no joelho.

Costuma-se classificar a epifisiolistese clinicamente em:

  • Instável: paciente não consegue apoiar a perna acometida (mesmo com muletas)
  • Estável: paciente consegue apoiar a perna acometida

Como fazer o diagnóstico?

Nos casos de adolescentes com queixa de dor no quadril ou no joelho deve-se suspeitar de epifisiolistese. Muitas vezes tanto o diagnóstico quanto o tratamento são atrasados porque essa possibilidade simplesmente não foi considerada, aumentando consequentemente o risco de complicações.

A investigação é inicialmente clinica com a avaliação dos sintomas e do exame físico sendo então complementada com exames de imagem.

O principal exame usado no diagnóstico do escorregamento da cabeça do fêmur é a radiografia. Na qual avalia-se o quadril de frente e em perfil. Na maioria dos casos a radiografia é o suficiente para confirmar a epifisiolistese e planejar o tratamento. Apenas em casos muito específicos solicita-se tomografia ou ressonância magnética como exame complementar.

Como é o tratamento da epifisiolistese?

O principal objetivo do tratamento é evitar a evolução do escorregamento e a piora da deformidade. Quando realizado logo no inicio dos sintomas e com mínimo desvio as chances de boa evolução são maiores.

  • Fixação: chamada de fixação “in situ”, ou seja, na posição que está.
  • Osteotomias: em casos com deformidade grave existe a indicação de corrigir o formato do quadril através de cortes cirúrgicos no quadril (osteotomias).
  • Fixação do quadril do outro lado: quando há risco elevado de escorregamento do lado contra lateral (como em crianças muito novas ou que tenham doenças endocrinológicas).

Quais são as complicações?

As principais complicações são a necrose e a condrólise. Ambas podem ocorrer nos escorregamentos graves e agudos. Podem levar a degeneração do quadril provocando dor com o passar do tempo.

Consideração final:

A epifisiolistese é a doença ortopédica mais comum do quadril do adolescente. Pode ser muito limitante e, por isso, deve ser sempre investigada nos casos de dor no quadril e joelho sendo indicado tratamento o mais precoce possível nos casos com diagnóstico confirmado.