Em quem ocorre?

Embora sejam fraturas frequentes, ocorrem mais comumente em homens entre 15 e 30 anos e mulheres após os 50 anos. Nesses grupos etários há fatores de risco específicos: a prática de atividades esportivas e incidência de trauma é mais frequente em homens entre 15 e 30 anos; enquanto. por outro lado,  a osteoporose  é mais comum em mulheres após do 50 anos, enfraquecendo o osso.  No entanto, é cada vez mais frequente que mulheres pratiquem esportes de alta demanda, ficando mais sujeitas a essa lesão. Veja a matéria: Edna Santini da seleção brasileira de rúgbi, após fraturar o tornozelo está de volta aos campos.

Como ocorre?

O mecanismo de trauma mais frequente é o torcional. Enquanto o pé permanece preso em uma posição, a perna se desloca em relação a ele, de maneira semelhante ao que ocorre nos entorses com lesões ligamentares, porém com maior energia. Confira o artigoEntorse do Tornozelo

O tornozelo é a articulação de três ossos: fíbulatíbia e talus. A fíbula e a tíbia formam uma estrutura estável (unidas por uma membrana ao longo dos dois ossos, desde o joelho até o tornozelo) que permite ao talus um movimento semelhante a uma dobradiça.

Os 3 ossos do tornozelo

Quais são os sintomas?

Dor, inchaço e hematoma no tornozelo são os mais comuns. Outros como deformidade, incapacidade de apoiar o pé ou lesões na pele (cortes ou bolhas, que caracterizam fratura exposta e flictenas, respectivamente) estão relacionadas a fraturas mais graves, sugerindo traumas de maior energia.

Como é feito o diagnóstico?

O exame clinico e a radiografia são fundamentais e suficientes para diagnosticar e planejar o tratamento na maior  parte dos casos de fratura do tornozelo. Em casos específicos outros exames podem auxiliar:

  • Tomografia computadorizada: útil para avaliar fragmentos pouco visíveis nas radiografias (por serem pequenos ou estar sobreposto a alguma estrutura óssea) ou ainda para verificar lesões associadas nas cartilagens ou mesmo fraturas do pé.
  • Ressonância Magnética: pouco usada nas fraturas do tornozelo, eventualmente pode ser útil para avaliar ligamentos.

 

O Tratamento

O alinhamento entre os ossos fraturados, a estabilidade desses fragmentos e as lesões associadas determinam se um caso deve ou não ser operado.

Alinhamento da fratura: se os fragmentos estiverem desviados a distribuição do peso do corpo no tornozelo é alterada, gerando desgaste (artrose) com o passar do tempo.

Estabilidade dos fragmentos: em alguns casos, os fragmentos embora estejam alinhados ao repouso, se desviam com a ação de cargas naturais (peso, movimento do tornozelo e tração dos músculos).

Lesões associadas:pele e subcutâneo, cartilagem e outras fraturas podem necessitar de tratamento especifico e, por isso, influenciar no tratamento da fratura do tornozelo.

As fraturas com desvio mínimo, estáveis e sem lesões associadas podem ser tratadas sem cirurgia. Todas as outras devem ser tratadas cirurgicamente. A cirurgia tem o objetivo de reconstruir a anatomia normal do tornozelo e permitir a reabilitação rápida e o mais completa  possível.

 

Existem complicações?

Claro que sim, mas são raras. Podem ocorrer logo após a fratura (complicações agudas) como são infecção (cerca de 2% das fraturas fechadas submetidas a cirurgia cursam com infecção) e eventos trombóticos. A complicação crônica mais comum é a artrose (cerca de 10% dos pacientes com fratura do tornozelo evoluem com artrose).

 

Mensagens Finais

As fraturas do tornozelo são comuns.

A avaliação inicial é muito importante para o planejamento correto do tratamento e redução da chance de complicações,  garantindo uma boa evolução de longo prazo.