O joanete é o desvio do dedão para fora, em direção aos dedos menores, acompanhado de um desvio do primeiro osso do pé para dentro. A saliência que aparece na borda interna do pé não é um osso que cresceu: é a cabeça do primeiro metatarso, que ficou exposta quando o dedo saiu do lugar. O nome técnico é hálux valgo.
O desvio também gira o dedo sobre o próprio eixo. Nos casos mais avançados, o dedão chega a se sobrepor ao segundo dedo, e aí a deformidade deixa de ser só do dedão e passa a empurrar os outros.
É uma das deformidades mais comuns do pé. Estimativas populacionais apontam presença em cerca de 23% dos adultos entre 18 e 65 anos, chegando perto de 36% depois dos 65, com frequência bem maior em mulheres: em torno de 30%, contra 13% dos homens. Leia mais
https://www.brunomassa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/joanete-halux-Valgo.jpg250700Dr. Bruno Massahttps://www.brunomassa.com.br/wp-content/uploads/2019/11/logo-01-300x115.pngDr. Bruno Massa2026-08-10 20:28:322026-08-25 17:30:39Joanete (Halux Valgo)
https://www.brunomassa.com.br/wp-content/uploads/2019/11/logo-01-300x115.png00Dr. Bruno Massahttps://www.brunomassa.com.br/wp-content/uploads/2019/11/logo-01-300x115.pngDr. Bruno Massa2019-03-13 16:02:572026-08-25 17:30:39Por que o meu pé sempre dói quando eu uso um sapato novo?
Embora muito frequente, o pé chato nos adultos – diferentemente dos casos pediátricos – não costuma ser um motivo de procura médica.
O chamado pé plano valgo flexível indolor é uma variação da anatomia normal, muito comum e presente desde a infância. Embora não impeça a prática de atividades esportivas, pode ser incorretamente avaliado como “pisada errada”. Na realidade, por se tratar apenas de uma variação da normalidade, não necessita de tratamento e a tentativa de “corrigir” pode, inclusive, gerar dor e lesões.
Desta forma, o pé chato do adulto costuma ser assintomático e passa a preocupar, quando causa dor.
Pessoas que não tinham pé chato e passam a ter (pé plano adquirido) também costumam procurar avaliação de um especialista. Nestes casos, os principais diagnósticos diferenciais são: a insuficiência do tendão tibial posterior, sequela de fraturas e artropatia de Charcot.
Insuficiência do tendão tibial posterior
A curva natural que temos na parte de dentro dos pés – chamada de arco plantar – é mantida ativamente por diversas estruturas, sendo o tendão tibial posterior uma das principais.
Durante a caminhada normal o tendão tibial posterior é ativado, modificando o alinhamento dos ossos e permitindo a transmissão de força para o solo. Quando se torna insuficiente, as outras estruturas de manutenção do arco ficam sobrecarregadas e o pé se torna progressivamente chato.
Essa patologia tem componente genético e sofre influência da alteração hormonal da menopausa, sendo portanto, mais frequente nas mulheres.
Muitas vezes pacientes com insuficiência do tendão tibial posterior são tratados por muito tempo de forma equivocada por dores secundárias (fascite plantar entre elas), sem que se identifique a causa principal.
Apenas em um estágio muito inicial da doença o tratamento pode ser conservador. Os demais casos envolvem uma abordagem cirúrgica.
Sequelas de fraturas
Fraturas que envolvem articulações costumam evoluir artrose (degeneração da articulação) e podem gerar perda do arco do pé.
Quando não há um perfeito alinhamento entre os fragmentos ósseos, após o tratamento da fratura (redução inadequada ou não redução das fraturas), a articulação pode sofrer degeneração e evoluir com perda do arco plantar.
Casos assintomáticos podem ser acompanhados, adaptando-se os calçados.
Independente da causa, se a mecânica do pé é alterada, perdendo-se o arco plantar, pode haver calosidade e dor. Nos casos sintomáticos, além da adequação dos sapatos, a correção cirúrgica das deformidades pode ser necessária para melhora da mecânica.
Artropatia de Charcot
De maneira resumida, essa doença é uma consequência da perda de sensibilidade do pé.
Em pessoas normais, traumas geraram dor e levam o individuo a proteger o pé: caminha-se com mais cuidado, até mesmo evitando o apoio do pé acometido, diminuindo a chance de novos traumas.
Com a perda de sensibilidade, ao ocorrerem lesões no pé, o paciente não percebe e as lesões vão se repetindo. Toda lesão gera um componente inflamatório – essencial para a cicatrização – mas, com os traumas frequentes, há manutenção e aumento do processo inflamatório, gerando um enfraquecimento dos ossos e provocando deformidade progressiva.
A anatomia do pé se altera, surgem pontos de pressão que, nesses pés insensíveis, podem se tornar calosidades e posteriormente ulceras.
Após o diagnóstico, o tratamento envolve a proteção do pé na fase inflamatória, a correção das deformidades residuais e a proteção das áreas de pressão para evitar o aparecimento de ulceras.
https://www.brunomassa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/Pe-chato-do-adulto-pe-plano-valgo.jpg250700Dr. Bruno Massahttps://www.brunomassa.com.br/wp-content/uploads/2019/11/logo-01-300x115.pngDr. Bruno Massa2019-03-12 20:32:492026-08-25 17:30:39Pé chato do adulto (pé plano valgo)
As torções do tornozelo correspondem a quase um terço das lesões relacionadas ao esporte e é uma das principais queixas de pacientes em pronto atendimentos. Quase todos já sofreram em algum momento da vida uma torção no tornozelo.
Em sua maioria os entorses do tornozelo são leves e pouco atrapalham as atividades embora sintomas como dor e edema sejam comuns. Embora exista lesão ligamentar em todo entorse do tornozelo, a gravidade desta lesão é variável, podendo ser desde uma distensão até mesmo uma lesão completa do ligamento. Leia mais
https://www.brunomassa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/entorse.jpg250700Dr. Bruno Massahttps://www.brunomassa.com.br/wp-content/uploads/2019/11/logo-01-300x115.pngDr. Bruno Massa2019-03-12 18:51:542026-08-25 17:30:39Entorse do Tornozelo
Embora sejam fraturas frequentes, ocorrem mais comumente em homens entre 15 e 30 anos e mulheres após os 50 anos. Nesses grupos etários há fatores de risco específicos: a prática de atividades esportivas e incidência de trauma é mais frequente em homens entre 15 e 30 anos; enquanto. por outro lado, a osteoporose é mais comum em mulheres após do 50 anos, enfraquecendo o osso. No entanto, é cada vez mais frequente que mulheres pratiquem esportes de alta demanda, ficando mais sujeitas a essa lesão. Veja a matéria: Edna Santini da seleção brasileira de rúgbi, após fraturar o tornozelo está de volta aos campos.
Como ocorre?
O mecanismo de trauma mais frequente é o torcional. Enquanto o pé permanece preso em uma posição, a perna se desloca em relação a ele, de maneira semelhante ao que ocorre nos entorses com lesões ligamentares, porém com maior energia. Confira o artigo: Entorse do Tornozelo
O tornozelo é a articulação de três ossos: fíbula, tíbia e talus. A fíbula e a tíbia formam uma estrutura estável (unidas por uma membrana ao longo dos dois ossos, desde o joelho até o tornozelo) que permite ao talus um movimento semelhante a uma dobradiça.
Quais são os sintomas?
Dor, inchaço e hematoma no tornozelo são os mais comuns. Outros como deformidade, incapacidade de apoiar o pé ou lesões na pele (cortes ou bolhas, que caracterizam fratura exposta e flictenas, respectivamente) estão relacionadas a fraturas mais graves, sugerindo traumas de maior energia.
Como é feito o diagnóstico?
O exame clinico e a radiografia são fundamentais e suficientes para diagnosticar e planejar o tratamento na maior parte dos casos de fratura do tornozelo. Em casos específicos outros exames podem auxiliar:
Tomografia computadorizada: útil para avaliar fragmentos pouco visíveis nas radiografias (por serem pequenos ou estar sobreposto a alguma estrutura óssea) ou ainda para verificar lesões associadas nas cartilagens ou mesmo fraturas do pé.
Ressonância Magnética: pouco usada nas fraturas do tornozelo, eventualmente pode ser útil para avaliar ligamentos.
O Tratamento
O alinhamento entre os ossos fraturados, a estabilidade desses fragmentos e as lesões associadas determinam se um caso deve ou não ser operado.
Alinhamento da fratura: se os fragmentos estiverem desviados a distribuição do peso do corpo no tornozelo é alterada, gerando desgaste (artrose) com o passar do tempo.
Estabilidade dos fragmentos: em alguns casos, os fragmentos embora estejam alinhados ao repouso, se desviam com a ação de cargas naturais (peso, movimento do tornozelo e tração dos músculos).
Lesões associadas:pele e subcutâneo, cartilagem e outras fraturas podem necessitar de tratamento especifico e, por isso, influenciar no tratamento da fratura do tornozelo.
As fraturas com desvio mínimo, estáveis e sem lesões associadas podem ser tratadas sem cirurgia. Todas as outras devem ser tratadas cirurgicamente. A cirurgia tem o objetivo de reconstruir a anatomia normal do tornozelo e permitir a reabilitação rápida e o mais completa possível.
Existem complicações?
Claro que sim, mas são raras. Podem ocorrer logo após a fratura (complicações agudas) como são infecção (cerca de 2% das fraturas fechadas submetidas a cirurgia cursam com infecção) e eventos trombóticos. A complicação crônica mais comum é a artrose (cerca de 10% dos pacientes com fratura do tornozelo evoluem com artrose).
Mensagens Finais
As fraturas do tornozelo são comuns.
A avaliação inicial é muito importante para o planejamento correto do tratamento e redução da chance de complicações, garantindo uma boa evolução de longo prazo.
https://www.brunomassa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/fraturas-tornozelo.jpg250700Dr. Bruno Massahttps://www.brunomassa.com.br/wp-content/uploads/2019/11/logo-01-300x115.pngDr. Bruno Massa2019-03-12 18:00:562026-08-25 17:30:39Fraturas do tornozelo
Considerando-se as lesões do pé e do tornozelo, um dos principais motivos de procura de serviços de pronto-atendimento / pronto-socorro são as lesões do tendão de Aquiles. Seu tratamento gera dúvidas tanto aos pacientes quanto aos familiares. Leia mais
https://www.brunomassa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/Rotura-do-Tendao-de-Aquiles.jpg250700Dr. Bruno Massahttps://www.brunomassa.com.br/wp-content/uploads/2019/11/logo-01-300x115.pngDr. Bruno Massa2019-03-12 15:36:452026-08-25 17:30:39Rotura do Tendão Calcâneo (Tendão de Aquiles)
Este é o dilema de muitos pacientes na hora de comprar calçados e, por isso, também são queixas frequentes no consultório ortopédico. Embora diversos textos já tenha sido publicados a esse respeito, a dúvida persiste.
Nesse sentido, o objetivo deste texto é servir como guia no momento da compra dos sapatos. Para tanto, será dividido em três partes: 1) O calçado, 2) Queixas mais frequentes e 3) Existe um sapato ideal?
O Calçado
São diversas opções tanto para os homens quanto para as mulheres, mas alguns componentes são comuns e conhecê-los nos ajuda a fazer a melhor compra:
Contraforte – parte posterior que apoia no calcanhar, tem rigidez variável. Ausente em algumas sandálias e nos chinelos.
Biqueira– é a parte da frente do sapato
Palmilha – é a parte interna do calçado, deve ser macia para ajudar a absorver impacto e dar conforto no calçar.
Solado – dá proteção ao pé. Pode ser mais ou menos flexível (ser mais rígida não significa um sapato “duro”, uma vez que a palmilha é quem deve dar essa característica)
Salto – muito variável, em especial nos calçados femininos.
Talvez a queixa mais frequente. São causadas por atrito entre o sapato e a pele. Ocorrem principalmente nas seguintes regiões:
Calcanhar – quando o acabamento do contraforte é muito rígido e pouco protegido.
Próximo ao “dedão” – o formato do pé não é compatível com a forma do sapato seja pela largura do pé, seja pela presença de deformidades como o joanete (link texto joanete) .
Próximo ao “mindinho” – geralmente quando em sapatos menores que o tamanho ideal
Perto das unhas dos dedos – nos casos de deformidade dos dedos.
Como tratar as bolhas
Evitar o atrito com o uso de calçados mais largos e de acabamento macio. O conceito de “amaciar” é controverso: um sapato deve ser confortável desde o primeiro uso! Mas… Se já tiver formado bolhas, mantenha curativos leves. Procurar um médico quando existirem sinais de inflamação intensa ou infecção (pus ou outras secreções de odor desagradável).
Calos
Os calos também podem ser causados por atrito, trata-se de uma proteção da pele contra lesões repetidas. Uma bolha, a longo prazo, pode se tornar um calo. Em alguns casos os calos não são consequência do calçado e sim de fatores anatômicos do pé. Nesses casos, a avaliação de um ortopedista é importante.
Como tratar os calos
Em geral os calos dolorosos são causados pelas alterações anatômicas e nesses casos é importante avaliar radiográfica e clinicamente para indicar um tratamento individualizado ao paciente.
Dor na planta do pé
Pode ocorrer ao caminhar ou após permanecer em pé por longos períodos. Geralmente está relacionada a palmilhas pouco macias (Atenção! A palmilha não tem relação com a flexibilidade do solado. Um sapato ideal tem solado rígido e palmilha macia, ou seja: mais proteção e conforto total).
Como tratar dor na planta do pé
Procurar sapatos com palmilhas macias. Aquela sensação de estar pisando em um gel é o que procuramos aqui. Ainda é possível trocar as palmilhas originais por outras mais macias, desde que não tornem o sapato “apertado”, ou seja: o pé não pode atritar com a parte superior do sapato. Algumas dores plantares são causadas por inflamações em tecidos internos do pé como a fáscia plantar e tendinopatias. Nesses casos, apenas a palmilha não será o suficiente e um especialista deve ser consultado.
Existe um calçado ideal?
Sim!
O calçado ideal é aquele que desde o primeiro momento protege e não atrita com o pé: não se deve esperar o sapato “amaciar”.
Cada pé tem uma necessidade específica e infelizmente algumas formas dos calçados não atendem a todos. Aquele “sapato lindo da vitrine” talvez não seja adequado.
https://www.brunomassa.com.br/wp-content/uploads/2016/05/Captura-de-Tela-2019-01-30-às-12.56.26.png249749Dr. Bruno Massahttps://www.brunomassa.com.br/wp-content/uploads/2019/11/logo-01-300x115.pngDr. Bruno Massa2016-05-06 22:26:512026-08-25 17:30:39Bolhas, calos e dor. Qual sapato eu compro?
“Meu filho tem pé chato” ou “Disseram na academia que o pé dela é pronado”. Todos ouvimos a respeito das formas do pé: chato, cavo, pronado ou supinado, mas existe um pé normal? Claro que sim, muitos! Diariamente variações anatômicas não são classificadas como defeitos: cor dos olhos, cor dos cabelos… então por que os pés não podem ter variações? O conceito de “pé normal” mudou muito; atualmente aceita-se que os pés tenham variações no formato. Nesse texto explicaremos essas variações e quais fatores devem nos preocupar.
A curva interna
Classificamos os pés basicamente pelas características da sua curva interna e pela seu apoio plantar (a pegada) em:
Pé “normal”– a curva existe e o apoio se dá na parte mais externa da planta, mas é possível notar uma continuidade na “pegada”
Pé plano (pé chato)– a curva é pequena ou não há curva, existe apoio de uma área maior da planta do pé
Pé cavo – há um aumento na curva, no apoio plantar quase não há apoio no meio do pé
A flexibilidade
Embora o conceito seja complexo, podemos resumir a flexibilidade do pé como a capacidade de alternar entre “plano” e “cavo”. Por exemplo: quando estamos sentados ou deitados, sem colocar peso sobre os pés, é possível observar o arco (aspecto cavo). De forma dinâmica, quando ficamos na ponta dos pés, essa curva se acentua.
Normalmente, os pés classificados como planos tem maior flexibilidade que os pés cavos. Ou seja, na prática, ao andar na areia (há um amortecimento grande e um esforço maior para impulsionar o passo) um pé pode aparentar ser plano (justamente por ser mais flexível), enquanto ao andar no asfalto (o amortecimento é ruim e o impulso é mais fácil) o mesmo pé pode aparentar ser cavo.
O Calcanhar
No exame médico a posição do calcanhar também é avaliada. Ele pode ser classificado de duas formas:
Valgo: parte mais plantar se afasta do centro do corpo
Varo é o oposto, quando ela se aproxima.
Normalmente o pé plano tem associação com o calcanhar valgo, o normal tem um alinhamento levemente valgo e o cavo, com varo. Associações diferentes dessas não são esperadas em pés “normais” e quase sempre estão relacionadas a alguma má formação.
Pés Pronados e Supinados
O conceito médico de pronação e supinação relacionado à anatomia do pé é complexo. Envolve uma “torção” interna ou externa ao longo do eixo do pé e pode variar inclusive em livros texto de anatomia. No entanto, essas denominações têm sido usadas com frequência, em especial na fabricação de alguns tênis para corrida ou caminhada. De maneira simples podemos dizer que os pés pronados são os pés mais chatos e os supinados os mais cavos.
Quando me preocupar?
Como vimos o conceito de pé normal, atualmente, é muito amplo. Variações muito acentuadas que dificultam calçar sapatos ou provocam dor para pisar, ou ainda os pés rígidos devem chamar a atenção e merecem investigação clinica e radiográfica.
https://www.brunomassa.com.br/wp-content/uploads/2016/05/Captura-de-Tela-2019-01-30-às-12.39.50.png253692Dr. Bruno Massahttps://www.brunomassa.com.br/wp-content/uploads/2019/11/logo-01-300x115.pngDr. Bruno Massa2016-05-06 22:24:162026-08-25 17:30:39Qual o formato do meu pé?