Ortopedia infantil em São Paulo

O osso da criança tem uma peça que o osso do adulto não tem: a cartilagem de crescimento. Ela fica nas pontas dos ossos longos, é ela que faz a criança crescer, e é ela que muda praticamente tudo na forma de avaliar, tratar e acompanhar um problema ortopédico antes dos 18 anos.

Não é uma diferença de tamanho. É uma diferença de biologia. Leia mais

Pé Torto Congênito: Diagnóstico e Método de Ponseti

O pé torto congênito é uma deformidade que acomete 1 a 2 a cada 1.000 nascidos vivos. Caracteriza-se por uma deformidade em cavo, varo, aduto e equino rígido – o pé aponta para baixo e para dentro, e não cede à correção com a mão – já ao nascimento. Cerca de metade dos casos acomete os dois pés.

O diagnóstico costuma chegar antes do parto. No ultrassom morfológico, entre a 13ª e a 23ª semana, o médico consegue ver o pé numa posição que não deveria estar: planta do pé alinhada no mesmo plano da tíbia e da fíbula. A partir daí a família passa meses com uma informação pela metade e nenhuma explicação do que vem depois.

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Tíbia Torta Póstero-Medial: O que é e como tratar?

Saiba tudo sobre a tíbia torta póstero-medial: uma condição rara que afeta a tíbia. Entenda o diagnóstico, tratamento e como buscar ajuda médica.

As preocupações mais frequentes dos pais em ortopedia pediátrica

Conheça as preocupações mais frequentes dos pais em ortopedia pediátrica

1. Pé chato

Conhecido no meio médico como “pé plano”, geralmente é notado pela família ou pelo médico pediatra quando o bebê começa a andar. Muitas vezes se torna uma fonte de grande preocupação. Questionamentos a respeito do que fazer (ou não fazer nada?!) ou se a criança pode ter problemas no futuro invadem as mentes de pais, avós, tios… É muito importante entender que o pé chato é, na maioria das vezes, uma variação normal. Deve ser uma preocupação quando for rígido (não formar a curva nem quando na ponta dos pés), for doloroso ou quando for adquirido (não tinha pé chato e passou a ter).

 

2. Luxação Congênita do Quadril (displasia do desenvolvimento do quadril – DDQ)

A doença mais frequente do quadril nos primeiros anos de vida. É fundamental fazer o diagnóstico ou pelo menos a suspeita logo no berçário ou nos primeiros meses. Para isso o exame físico adequado complementados muitas vezes por exames de imagem (ultrassom e radiografia) são suficientes. O tratamento varia com a idade, sendo mais invasivo (cirurgia) nas crianças mais velhas.

 

3. Pé torto

O termo pé torto é muito genérico e pode significar praticamente qualquer coisa desde doenças até variações normais. Os mais importantes são:

                    Pé torto congênito

  • Pé torto congênito – quando o pé tem curvatura intensa para a parte interna do pé e é rígido. Não pode ser corrigido pela manipulação simples e é tratado por manipulação e troca de gesso segundo o método de Ponseti.

               Pé metatarso adulto

 

 

  • Pé metatarso adulto – também aponta para dentro, mas menos intensamente e mais flexível que o pé torto congênito. Na Maioria dos casos tem melhora espontânea. Pode necessitar de tratamento se for doloroso (em especial no uso dos calçados).

                         Pé talo vertical

 

  • Pé talo vertical – também conhecido com pé em mata borrão. É um pé plano rígido. Uma saliência (cabeça do talus) pode ser palpada na planta do pé. Deve ser tratado com manipulação seguido de cirurgia.

 

 

4. Diferença de comprimento entre as pernas

Muitas pessoas têm diferenças pequenas de comprimento entre as pernas (de até 1,5cm) e nunca se deram conta disso. Diferenças maiores geram repercussão e devem ser tratadas. Identificar a causa da diferença é fundamental para prevenir que ela aumente. O tratamento é mais fácil no indivíduo ainda em crescimento e pode variar da compensação com palmilhas à cirurgia.

 

5. Quedas frequentes

Crianças seguem um “cronograma”. Esse corresponde ao desenvolvimento do esqueleto, musculatura e principalmente do cérebro. Ele não é idêntico para todos, segue um padrão com períodos variados nos quais a criança pode desenvolver determinada habilidade como engatinhar, andar, subir escadas, saltar e correr. Na maioria das vezes, a criança tem apenas um amadurecimento mais tardio e não necessariamente significa uma doença.

Quando, no entanto, o desenvolvimento foge muito do esperado deve ser avaliada pelo pediatra em conjunto com o especialista adequado para estabelecer o diagnóstico e planejar o tratamento específico.

Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ)

A displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) acomete de 1,5 a 2,5 em cada 1000 nascidos vivo. Antigamente chamada de luxação congênita do quadril, foi renomeada pelo fato de nem todos os pacientes nascerem com o quadril luxado e luxarem com o desenvolvimento, ainda nos primeiros meses de vida. A importância do diagnóstico e tratamento adequado é importante pela associação à artrose (desgaste articular) do quadril e por isso a um maior índice de artroplastias (próteses) em relação à população geral.

O diagnóstico deve ser realizado, preferencialmente, ainda no berçário, por meio de exame físico. Pode ser complementado por exames de imagem tanto no rastreamento de casos com maior risco ou para confirmação do diagnóstico. Os achados variam com a idade do paciente, nos mais novos é identificado um estalo específico no exame. Com o tempo ficam mais evidentes a diferença de comprimento das pernas (principalmente em casos unilaterais) ou uma curvatura acentuada na coluna (hiper lordose na coluna lombar). Dor não é um achado comum nas crianças.

Em crianças muito novas, o melhor exame complementar é o ultrassom. Nesse são identificados a cobertura óssea e a cobertura cartilaginosa da cabeça do fêmur, medidas através de dois ângulos (alfa e beta, respectivamente). Nas crianças mais velhas, a radiografia da bacia identifica a luxação e a displasia da bacia (deficiência de cobertura óssea).

O tratamento  pode variar desde o uso do suspensório descrito por Pavlik  à redução aberta com osteotomias pélvica e femoral, dependendo de cada caso especificamente. Casos não tratados ou com tratamento insuficiente, na idade adulta,  podem precisar de artroplastia (prótese) do quadril.

 

Seu filho tem pé chato? Será?

A anatomia do pé plano é natural em todos os recém-nascidos e se mantém assim por algum tempo. Diagnóstico certeiro só mesmo após os quatro anos de idade

Entre tropeços e acertos, por volta do primeiro ano de idade, os pequenos começam a arriscar alguns passos. Mas logo já estão dando aquele trabalho, correndo pela casa toda, certo? Entretanto, passado algum tempo, quando notam algo estranho na aparência do pé ou no modo como o filho anda, apoiando toda a planta no chão, os pais podem se perguntar se a criança tem pé chato. Trata-se de uma constituição anatômica normal a todos os bebês durante os primeiros anos de vida. No entanto, a curvatura do pé depende do desenvolvimento da criança e até mesmo do estímulo do andar para se formar. Por isso, o diagnóstico só pode ser confirmado aos 4 anos de idade.

Se ainda assim a queixa persistir, os pais devem procurar um ortopedista para avaliar não apenas a anatomia, mas também a rigidez e o incômodo que o paciente sente. Entretanto, o pé pode, de fato, ter menos arco medial e não causar sintomas à criança. A intervenção médica só é recomendada quando há dor ou calosidade.

Quando a condição interfere apenas no andar, ou se trata apenas de uma questão estética, a cirurgia não é indicada, pois é preciso respeitar a mecânica natural de cada indivíduo.

Uma das causas mais frequentes de fratura em atletas ocorre quando o técnico tenta modificar o modo como a pessoa corre. Isso aumenta oestresse em estruturas que antes não estavam preparadas para isso e gera lesão em vez de melhorar o desempenho.

Quando o médico percebe, no exame físico, que as articulações não são flexíveis entre elas, essa rigidez também é motivo de intervenção, que pode ser cirúrgica, a fim de realinhar os ossos do pé, ou readequar o uso de calçado. Tal condição, mais frequente em pés planos, pode indicar a presença de uma ponte óssea que limita o movimento entre os ossos do pé, e isso geralmente causa dor. Também pode acontecer de o paciente passar a infância sem sintomas e o problema incomodar na fase adulta.

Bota e palmilha resolvem?

A antiga resolução para o pé chato ficou no passado. Vários estudos aplicados em populações diferentes, que usaram e não usaram bota, apontaram que o percentual de crianças que mantiveram o pé plano é igual ao das que não o mantiveram. Ou seja, sem eficácia comprovada, o método não é mais utilizado.

O que de fato surte efeito é deixar que a criança ande descalça desde pequena, em terrenos diferentes. A meia antiderrapante não vale. Só mesmo com o pé no chão o bebê vai se acostumando às diferentes texturas e temperaturas. Isso fortalece a musculatura intrínseca do pé e diminui a incidência de pé plano.

Vale ressaltar ainda que pés planos são flexíveis e amortecem muito bem; por isso, outra recomendação é optar por calçados mais firmes, com bicos arredondados. Também não custa nada lembrar que o uso de salto alto é recomendado apenas a partir da adolescência, quando já se atingiu maturidade óssea.

Artigo escrito pelo Dr. Buno Massa para o ABC da saúde infanto-juvenil

Meu filho tem as pernas tortas?

Essa é uma das preocupações mais frequentes dos pais ao procurar um ortopedista. Essa dúvida geralmente surge por comparar as pernas do filho com as de outras crianças.

Na enorme maioria das vezes a resposta do ortopedista pediátrico será: “Isso é normal, será corrigido com o tempo!”. No entanto, essa resposta, sem outras explicações pode ser muito superficial e insuficiente para pais e familiares que, por falta de segurança, frequentemente procuram outras opiniões e podem acabar levando seus filhos a tratamentos desnecessários. O objetivo desse texto é esclarecer alguns desses pontos. Leia mais

Raquitismo

Embora os ossos pareçam estruturas estáticas, o seu metabolismo é dinâmico intimamente ligado ao cálcio, fosfato e vitamina D.

Raquitismo é uma doença que envolve tanto o metabolismo ósseo, quanto os níveis de cálcio, fósforo e vitamina D.  Ocorre devido a mineralização inadequada na cartilagem de crescimento associada a baixas taxas de fosfato.

Os níveis insuficientes de vitamina D e cálcio levam a disfunção do metabolismo ósseo que, por sua vez, gera deformidades nos membros inferiores e fragilidade óssea, sendo esses últimos os principais motivos de procura ao pediatra ou ortopedista.

Vitamina D

A vitamina D auxilia na absorção de cálcio pelo intestino e pelos rins.

Com as mudanças de comportamento da nossa sociedade e a menor exposição aos raios ultravioletas, os níveis dessa vitamina no sangue estão abaixo do normal em mais indivíduos do que prevíamos. Desta forma, suplementos de tornaram uma maneira comum de adquirir a vitamina D.

Cálcio

O cálcio participa não só do metabolismo ósseo, mas também do metabolismo dos músculos e do sistema nervoso.

A absorção no intestino ocorre com ajuda da vitamina D, o cálcio então é armazenado nos ossos e excretado pelos rins. Se houver redução dos níveis no sangue, o intestino é estimulado a aumentar a absorção, o organismo diminui a quantidade de cálcio armazenado nos ossos (em outras palavras, os ossos “perdem” cálcio) e os rins começam a trabalhar para excretar menos cálcio. Uma dieta rica em cálcio é fundamental, portanto, para manter os ossos fortes. Leite e derivados são a principal fonte de cálcio na dieta humana.

Diagnóstico 

diagnóstico de raquitismo é complexo do ponto de vista laboratorial mas segue a lógica de todos esses metabolismos explicados anteriormente.

São avaliados, em conjunto, exames de sangue que incluem: cálcio, fosfato, vitamina D, fosfatase alcalina e hormônio paratireoidiano (PTH); bem como radiografias (em que podemos ver alargamento da cartilagem de crescimento e sinais de ossificação irregular na metáfise dos ossos) e, mais importante, os sinais clínicos de fraqueza, irritabilidade e deformidades ósseas (membros inferiores, coluna e costelas).

Como ocorrem as deformidades nos ossos?

Crianças e adolescentes possuem uma central reguladora de crescimento em seus ossos, chamada de cartilagem de crescimentoNo raquitismo o processo de formação de osso pelas cartilagens de crescimento é anormal. As células responsáveis por produzir o osso geram calcificações irregulares que, por sua vez, dão origem a ossos mais frágeis. Com o passar do tempo, esse osso fragilizado, sob o peso da criança, vai se deformando.

Tais deformidades são variadas:

  • Membros inferiores valgos – quando os joelhos se aproximam e os tornozelos se afastam.}
  • Membros inferiores varos – quando os joelhos se afastam e os tornozelos se aproximam.
  • Combinação de ambos – deformidades em “ventania”.

Estes ossos frágeis também podem sofrer fraturas e nesses casos o tratamento é especifico para cada fratura.

Tratamento

Embora muitos pais se preocupem mais com as deformidades (afinal, foram elas o motivo de procura dos serviços de saúde), o tratamento do raquitismo em si é a etapa mais importante da terapia.

Em geral, os pediatras indicam reposição de vitamina D e cálcio juntamente com adequação da dieta.

Uma vez tratado o raquitismo, deformidades mais leves passam por um processo de remodelamento natural do osso e são corrigidas. Deformidades maiores necessitam de tratamento ortopédico especifico, muitas vezes cirúrgico.

O raquitismo é uma doença evitável e sua prevenção é o melhor tratamento. Na menor suspeita é fundamental procurar o pediatra e o ortopedista para investigação adequada.

Epifisiolistese: O que é e como se trata?

A epifisiolistese acomete o quadril de adolescentes (a média de idade é de 12 anos para meninas e 13,5 anos para meninos).

Uma parte do fêmur (cabeça) “escorrega” causando um desvio na cartilagem de crescimento que, por ser uma estrutura delicada, não suporta o peso corporal e leva a deformidade no quadril.

Embora a causa exata seja desconhecida. Sabe-se que a epifisiolistese é mais comum nos meninos, negros e principalmente nos obesos, bem como em crianças com doenças endocrinológicas e doenças renais.

Quais são os sintomas?

O sintoma mais comum é a dor prolongada no quadril (duração de meses a anos). Mais raramente as queixas podem se assemelhar as de um caso de fratura: dor aguda e forte. Com a evolução da doença notamos encurtamento e rotação da perna acometida (o pé passa a apontar para o lado) associados a limitação da mobilidade da articulação.

Em metade dos casos os dois lados do quadril apresentam sintomas, normalmente iniciados com até 1 ano de intervalo de início.

A dor pode ser referida no joelho.

Costuma-se classificar a epifisiolistese clinicamente em:

  • Instável: paciente não consegue apoiar a perna acometida (mesmo com muletas)
  • Estável: paciente consegue apoiar a perna acometida

Como fazer o diagnóstico?

Nos casos de adolescentes com queixa de dor no quadril ou no joelho deve-se suspeitar de epifisiolistese. Muitas vezes tanto o diagnóstico quanto o tratamento são atrasados porque essa possibilidade simplesmente não foi considerada, aumentando consequentemente o risco de complicações.

A investigação é inicialmente clinica com a avaliação dos sintomas e do exame físico sendo então complementada com exames de imagem.

O principal exame usado no diagnóstico do escorregamento da cabeça do fêmur é a radiografia. Na qual avalia-se o quadril de frente e em perfil. Na maioria dos casos a radiografia é o suficiente para confirmar a epifisiolistese e planejar o tratamento. Apenas em casos muito específicos solicita-se tomografia ou ressonância magnética como exame complementar.

Como é o tratamento da epifisiolistese?

O principal objetivo do tratamento é evitar a evolução do escorregamento e a piora da deformidade. Quando realizado logo no inicio dos sintomas e com mínimo desvio as chances de boa evolução são maiores.

  • Fixação: chamada de fixação “in situ”, ou seja, na posição que está.
  • Osteotomias: em casos com deformidade grave existe a indicação de corrigir o formato do quadril através de cortes cirúrgicos no quadril (osteotomias).
  • Fixação do quadril do outro lado: quando há risco elevado de escorregamento do lado contra lateral (como em crianças muito novas ou que tenham doenças endocrinológicas).

Quais são as complicações?

As principais complicações são a necrose e a condrólise. Ambas podem ocorrer nos escorregamentos graves e agudos. Podem levar a degeneração do quadril provocando dor com o passar do tempo.

Consideração final:

A epifisiolistese é a doença ortopédica mais comum do quadril do adolescente. Pode ser muito limitante e, por isso, deve ser sempre investigada nos casos de dor no quadril e joelho sendo indicado tratamento o mais precoce possível nos casos com diagnóstico confirmado.